"Em suas fotos, montadas como dípticos, Mohallem não está preso às malhas do real. Usando câmeras mecânicas, ele revela, amplia, e depois digitaliza as fotos, alterando cores e eventualmente redesenhando partes da imagem. Sua paleta cromática tende fortemente para os verdes e azuis, esfriando as cenas. Dá-se, assim, uma espécie de amortecimento sensível da nossa relação com o lugar, que em suas fotos parece ainda mais distante, e um tanto irreal. O que está em causa, poeticamente, é a dificuldade de aproximação, e, com ela, a dificuldade de apreensão de um lugar que, em vários sentidos, parece estar em eterna suspensão. Colaboram muito para isso as fortes manchas que desenham as fotos, e que parecem materializações da ventania, da areia e da maresia, como um tufão também rarefeito, que não chega a se formar."


Guilherme Wisnik