
entrevista para o blog Fotoclube f/508 por Humberto Lemos
Semana passada o “ensaio para a loucura” foi publicado no blog do fotoclube f/508. Alguns dias após o ensaio, foi a vez da entrevista:
(…) Alguns críticos falam que toda fotografia é autoral, já que existe um autor por trás da imagem. Como você vê essa questão?
“Acho que, se a gente pegar a definição literal de autor, cada arroz e feijão cozinhado por alguém é uma cozinha de autor, porque alguém fez. Nesse raciocínio, todo e qualquer trabalho de criação vai ser autoral, porque tem por trás algum indivíduo em toda sua complexidade. Esse posicionamento em relação à fotografia foi muito importante numa época em que se atribuía ao aparato toda responsabilidade pela criação, numa discussão que ocupou a primeira metade do século 20. Hoje a fotografia já se consolidou como mais uma dentre as expressões das artes plásticas.
O autor muitas vezes é entendido como aquele que, ou inventa uma nova linguagem, ou combina linguagens conhecidas de uma maneira inovadora. A partir daí, cria uma marca pessoal. Mas ser original é ser autoral? Será que a originalidade deve ser a busca definiva do artista? Acho que a originalidade ajuda mesmo na marca, no sentido mais mercadológico da palavra, mas marca nunca garantiu conteúdo.
Quando ‘inventei’ o pinhole digital, fiquei maravilhado pelo ouro da originalidade. Me deu uma certa soberba, sabe? Aí digitei no flickr e vi que tinha muita gente fazendo isso em várias partes do globo. Mas ninguém tinha exposto em galeria. Quando finalmente expus o trabalho, entendi que a técnica era o menos importante. Para as pessoas que vinham ver, pouco importava se era pinhole, ou se a imagem era feita com calda de chocolate. Elas se relacionavam com cada conjunto foto-texto, dependendo do que o trabalho tinha ou não a dizer a cada pessoa.”
A entrevista completa no site do fotoclube.