vulnerabilidade como abertura
publicado por gUi
Acabo de voltar do Tennesee.
Tive uma conversa muito boa com o Matthew no dia que cheguei no Santuário.
Eu falava sobre a sensação de vulnerabilidade que eu sentia quando o outro sabe que eu o desejo e/ou fotografo.

Matthew, 2009 / welcome home
Até essa conversa eu achava que o problema era a ligação entre desejo/vulnerabilidade, e que a chave seria desvincular uma coisa da outra. O que ele me questionou foi justamente a relação com a vulnerabilidade. Por que achar que isso é ruim?
Procuramos no dicionário até achar uma definição adequada e ela veio de um jogo de cartas:
“Vulnerável: apto a receber maiores punições e prêmios.”
Sem perceber, passei a arriscar pedir pras pessoas permissão pra tirar as fotos. E descobri um jeito de fazer isso sem quebrar a espontaneidade do trabalho: ou eu pedia antes, horas antes, ou logo depois de ter fotografado.
Mas a relação com o ato fotográfico acabou mudando bastante. Eu não tinha mais medo de alguém flagrar meu ato sorrateiro. O jogo estava aberto. Naquele espaço livre onde cada um se veste com quiser (e se quiser), me liberei pra andar com a câmera pendurada no pescoço quase o tempo todo. Assumi meus desejos, saí do armário como fotógrafo.
Foram 8 dias, 19 filmes. Quero muito ver como essa nova postura imprime nessas novas imagens.
