porque site é difícil de atualizar

pra enfeitar um pouco o blog

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Campos de feno, 1907 por Antonin Personnaz

Os autochromes foram a primeira tentativa bem sucedida de fixar a cor na fotografia. Louis Lumière, que também inventou o cinema, se orgulhava muito mais de ter conseguido a foto colorida.

Encontrei as fotos do Antonin Personnaz ontem por acaso. Elas são de 1907, no mesmo ano em que os autochromes comecaram a ser produzidos industrialmente.

As lentes da época não tinham elementos de correção. Cada cor então focava em uma distancia diferente, sendo impossível ter uma imagem completamente em foco. E elas tem um clima, e elas tem um clima…

Cena de inverno, 1907 por Antonin Personnaz

Cena de inverno, 1907 por Antonin Personnaz

Não consegui achar nenhum livro sobre Antonin, mas descobri que ele era colecionador das obras dos impressionistas e que foi importante para a difusão da fotografia colorida, amplamente atacada pelos pintores, que criticavam a questão da mecanicidade do processo.

Mais imagens do Antonin, aqui.

em um bloquinho de 2003

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caderno-gUi001

vontade e razão

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10-15-13 vontade razão

my name is Isaiah

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No dia que marcava o início das festividades do Beltane conheci uma casal lindo e suas duas filhas: Tulula de 3 anos e Isaiah (se pronuncia Aiséia), de uns 6.

Eles moravam mais ou menos perto e tinham vindo num furgão, onde dormiriam as noites seguintes. Brinquei um pouco com as meninas, pedi aos pais autorização pra fotografá-las.  É muito legal ver as crianças naquele espaço potencialmente tão inapropriado e ao mesmo tempo tão acolhedor.

Isaiah e Tulula

Alguns dias depois vejo a mais velha brincando com bolha de sabão. Ela me reconhece e diz. “Tô com sede!”. Fui até a fonte com ela, enchi minha garrafa e dei pra ela beber. Ela bebia com pressa.

” – Tava com sede mesmo hein, garota?!”

” – Eu não sou garota, eu sou garoto. Eu só gosto de usar cabelo comprido igual menina e eu gosto de rosa.”

antes de processar qualquer coisa, consertei.

” – Tava com sede mesmo hein, garoto?!”

Dei a mão pro menino pra levá-lo de volta às bolhas de sabão. Ainda atropelado um pouco por aquela complexidade de ser, e com a simplicidade com que ele lidava com tudo, reforcei meu apoio.

“- Vamos garoto!”

“- Meu nome é Isaiah.”

(em português, Isaías)

10-21-12-isaih-runs

Isaiah tinha bastante claro o que queria e quem era.

e já sabia que uma coisa não dependia da outra.

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para mais sobre a série welcome home, visite www.projetoincubadora.com

volta e me beja

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10-13-30-volta-e-me-beja

gabriela herman

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a imagem do crescimento gradual como uma subida, um caminho, não parece com o que eu experimento, nem com o que costumava testemunhar em meus alunos. acredito no desenvolvimento de qualquer aprendizado como um espiral, em que se gira gira num mesmo plano por um tempo até o momento do salto. o desenvolvimento se dá através de insights, pulos para planos acima, e isso acontece de uma hora pra outra.

hoje estou feliz porque vi o salto de uma amiga.

conheci Gabriela Herman e nova york, numa dessas festas, meio networking meio mussarela e rapidinho a gente ficou muito amigo.

ela foi até a expo, me ajudou muito na divulgação, na comunicação com os blogs importantes, participou do ensaio para a loucura e até hoje a gente troca muito porque estamos num estágio similiar em relação às nossas carrreiras e ao desenvolvimento do trabalho pessoal.

Gabriela é filha de brasileiros e chegou a morar uns quatro anos no Brasil. uma de suas séries mais fortes é a de auto-retratos, que tem imagens que eu gosto muito mas sempre questiono a edição quando a gente conversa.

ela mantém um blog super atualizado tanto com seus trabalhos, quanto com o que ela vê por aí. é um dos poucos que eu sigo. hoje ela postou uma série que eu ainda não tinha visto, de auto retratos com a irmã. e está um desbunde.

®Gabriela Herman ( clique pra ver a edição)

®Gabriela Herman ( clique pra ver a mais)

gosto muito de muitas imagens, mas o que me deixa mais feliz é a edição. acho que talvez a parte mais difícil do fotógrafo seja entender e editar o trabalho.

é por alegria que faço esse post. e um pouco de orgulho também.

welcome (back) home

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10-16-01

10-25-07

estranho, no melhor sentido da palavra.

uma questão técnica?

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Logo antes de viajar, experimentei revelar 2 filmes lá no Gibo do Gibolab. As cores estavam lá mas não via mais manchas. Isso me fez concluir que as manchas devem vir da revelação no minilab,  e não do processo de uberexposição + superrevelação, como eu sempre acreditei. De uma hora pra outra, as manchas não eram mais inerentes ao processo.

espelho manchado #4, de 2009.
espelho manchado #4, de 2009.

O fato é que agora eu posso escolher mancha ou não mancha. Se nas novas fotos de Coney Island eu tenho certeza que vou optar pelas manchas e pelo acaso, eu não tenho tanta certeza em relação às novas do welcome home.

Julia em Delfim, de um dos filmes revelados no Gibo.
Julia, de 2010. um dos negativos revelados no Gibo.

Por um lado, fico com medo de estar apegado a uma “estética própria” antes de pensar na estética que o trabalho pede. Por outro, tenho receio de alterar a constante de uma pesquisa que já tem 7 anos, e não me reconhecer mais nessa nova plástica.

aaaaaah.

E a ansiedade de ver essas imagens.

vulnerabilidade como abertura

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Acabo de voltar do Tennesee.

Tive uma conversa muito boa com o Matthew no dia que cheguei no Santuário.

Eu falava sobre a sensação de vulnerabilidade que eu sentia quando o outro sabe que eu o desejo e/ou fotografo.

matthew, 2009 _ welcome home

Matthew, 2009 / welcome home

Até essa conversa eu achava que o problema era a ligação entre desejo/vulnerabilidade, e que a chave seria desvincular uma coisa da outra. O que ele me questionou  foi justamente a relação com a vulnerabilidade. Por que achar que isso é ruim?

Procuramos no dicionário até achar uma definição adequada e ela veio de um jogo de cartas:

“Vulnerável: apto a receber maiores punições e prêmios.”

Sem perceber, passei a arriscar pedir pras pessoas permissão pra tirar as fotos. E descobri um jeito de fazer isso sem quebrar a espontaneidade do trabalho: ou eu pedia antes, horas antes, ou logo depois de ter fotografado.

Mas a relação com o ato fotográfico acabou mudando bastante. Eu não tinha mais medo de alguém flagrar meu ato sorrateiro. O jogo estava aberto. Naquele espaço livre onde cada um se veste com quiser (e se quiser), me liberei pra andar com a câmera pendurada no pescoço quase o tempo todo. Assumi meus desejos, saí do armário como fotógrafo.

Foram 8 dias, 19 filmes. Quero muito ver como essa nova postura imprime nessas novas imagens.

publicado por gUi

Os postes no pier não se acendem mais de noite, mas Coney Island tem as mesmíssimas cores que eu pinto nas fotos.

Palavra de daltônico.

Image 2

o verbo impossível

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to aqui no unico quarto pra alugar em coney island, usando um wifi roubado e postando do celular. não consigo por fotos nem hiperlinks.

Fico aqui até sábado. Domingo embarco pra mais uma expedição ao Tennessee e às minhas inseguranças.

Ainda ecoam as conversas que tive na primeira reunião do incubadora, o quanto que essas imagens falam de mim, das minhas dificuldades de lidar com o desejo, e o quanto que elas ainda não falam do que eu vivi em Short Mountain.

A primeira coisa que escrevi no caderno pro Felipe foi sobre como esse ensaio resulta de uma desistência, quando desisti de usar a câmera, desisti de querer contar. Fui viver o beltane por uma questão pessoal; a câmera às vezes estava lá, às vezes não.

Welcome Home é uma tentativa de resgatar essas sensações, por isso talvez que a série tenha um título que as imagens ainda não traduzem.

Estou voltando pra lá, pra viver outras tantas experiências tranformadoras e, muito por conta desses encontros do projeto, questionando o jeito como encaro o meu trabalho e o próprio ato de fotografar.

Qual é o limite entre a vida e a fotografia? quando a fotografia compromete a experiência, quando ela a potencializa?

Existe um medo, infantil até, de que essa intenção, de que a expectativa com o resultado macule a pureza da experiência inicial, a qual se quer voltar. Mas voltar é um verbo impossível. Só resta ir de novo.

Image 1

novo desafio

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Nos últimos 3 meses tenho me reunido constantemente com os fotógrafos Felipe Russo e Breno Rotatori, e com a adorável Lua Cruz em processo intensos de elaboração e produção. A gente começou querendo fazer uma exposição junto, mas da combustão desses encontros nasceu um projeto que tem me deixado bastante desafiado.

Durante a construção do Incubadora, foi muito curioso perceber como naturalmente a gente foi chegando a várias conclusões similares às questões que vivi dentro da Casa Tomada: os processos abertos em blog, uma vontade de publicação, a busca por uma figura central que oriente…  O próprio caderno, que já começava a trocar com o Felipe, mais do que uma influência da Casa, uma sequela daquela experiência foi também incorporado ao novo projeto. Acabamos compartilhando pessoas da equipe na construção do blog: o Habacuque desenvolveu o site e a Lila a identidade visual.

Filho de afetos, influências e quem sabe até um zeitgeist, finalmente nasce.

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Fotógrafos abrem processos de trabalho em blog

Grupo reúne artistas e pesquisadores para potencializar interferências na criação

Buscando entender melhor o processo de construção de suas atuais pesquisas, e sentindo a necessidade de compartilhar essa etapa da criação,os fotógrafos Breno Rotatori, Felipe Russo e gUi Mohallem convidaram parceiros para acompanhar essa produção.

Nasce então Incubadora, um projeto piloto cujo objetivo é criar um processo aberto de trabalho para a construção de ensaios, no qual cada fotógrafo convida uma pessoa para colaborar e dividir essa construção: Pio Figueiroa, Lua Cruz e Lucas Simões, respectivamente.

Com o objetivo de elaborar uma reflexão contextualizada sobre o processo,participa também o pesquisador Ronaldo Entler.

O blog funciona como plataforma de discussão, expandindo ainda mais a possibilidade de interferência na construção de cada trabalho.

Visite e participe: www.projetoincubadora.com

Felipe Russo é fotógrafo, formado em Biologia, pós graduado em Fotografia na Spéos em Paris,onde trabalhou na Agência Magnum Photos.Atualmente leciona História da Fotografia na Escola Panamericana de Arte e Design e é membro da agência Amanajé Fotografia. www.feliperusso.com

Lua Cruz é formada em Comunicação Social, e faz pós-graduação em fotografia (Senac-SP). Colabora com o fotógrafo Felipe Russo em seus projetos e no blog sobre fotografia “modobulb”. www.modobulb.wordpress.com.

Breno Rotatori é bacharel em fotografia, estuda e trabalha em São Paulo desde 2006. Atualmente sua pesquisa está no campo representativo entre o real e o ficcional, e num estudo da própria utlização e representação fotográfica. www.brenorotatori.com.

Pio Figueiroa é fotógrafo do Coletivo Cia de Foto e vem participando de diversas exposições na América Latina e Europa, atuando também na realização e curadoria de importantes eventos relacionados à fotografia, como o Fórum Latino Americano e o Paraty em Foco. www.ciadefoto.com.br

gUi mohallem, mineiro de Itajubá, formou-se em Cinema e Vídeo pela ECA-USP em 2003. Foi educador em projetos sociais de cinema. Em meados de 2007 passou a se dedicar exclusivamente ao seu trabalho como fotógrafo. Já expôs em Minas, São Paulo, Paraty e Nova York. www.guimohallem.com

Lucas Simões, artista plástico graduado em Arquitetura, começou a expor aos 13 anos de idade e fez sua primeira individual aos 16. Seus trabalhos transitam por técnicas diversas, como pinturas em nanquim, costuras, objetos, textos e intervenções em mapas e em fotografias de outros autores. www.flickr.com/photos/lucsa/.

Ronaldo Entler é jornalista, doutor em Artes pela ECA-USP, professor e coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Faap e professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp. Além disso, desenvolve o blog Icônica, em parceria com Rubens Fernandes Júnior. www.entler.com.br.

Programação do site: Habacuque Lima www.telecoteco.com.br.

Identidade e projeto gráfico: Lila Botter www.lilabotter.wordpress.com

mon oncle

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Tio Antoine fez o meu parto.

Quando encontrei ele dessa vez, me assutei muito: ele tava judiado e envelhecido.

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Passamos a noite conversando. O cheiro forte de cigarro defumava minha roupa, o sotaque difícil virava aos poucos melodia, as histórias de luta e de sobrevivência criavam cenários que não conheci. O luxo e o prestígio no Líbano, o êxodo pro Canadá, o hospital que não vingou, a família desmembrada…

Em alguns dias ele volta pra Brasília.

Me dá um aperto ver ele envelhecer assim sozinho e longe.

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Jum Nakao pra Bravo!

publicado por gUi

Na úlima sessão de Bastidores na Bravo! eu tinha iria fotografar o processo de criação do Jum Nakao pra SP Cia de Dança. Fiquei animado porque gosto muito do trabalho dele.

Uma das primeiras coisas que eu vi dele foi na minissérie Hoje é dia de Maria, roupas e personagens de papel. Tem uma coisa sobre o Jum que eu admiro muito e que tem estado muito na minha cabeça é o diálogo frutífero com o mercado. Isso é especulação minha, mas a impressão que dá é que ele abraça as diversas encomendas que chegam pra ele, desde Nespresso (making off incrível, aqui) e Banco do Brasil até do Luis Fernando Carvalho e da própria SP Cia de Dança com o mesmo afinco, com a mesma paixão, a paixão do artista.

A Valéria Mendonça, editora de fotografia da Bravo! me pediu um abre ‘lindo’. Abre é a foto que inicia a matéria, geralmente em página dupla. E tem que tomar cuidado pro assunto não coincidir com o miolo da revista. Estava animado de visitar o ateliê do Jum, imaginava um galpão com pé direito alto, teto escuro, e muito muito bagunçado. Acabou que esse processo estava sendo desenvolvido em um apartamento na Frei Caneca, onde mora uma das pessoas da sua equipe.

Passei quatro horas com eles, desde a construção do molde mo corpo do bailarino, passando pela modelagem e costura do primeiro braço. A quantidade de pessoas, o tamanho reduzido da sala onde se trabalhava e a iluminação natural não facilitava a foto, mas nesse percurso todo pude observar como Jum trabalha com a sua equipe. Todas as pessoas que ali trabalhavam tinham uma autonomia de criação e de ação muito impressionantes. Era uma parceria em que ele muitas vezes se reservava pra criar, mas cada um tinha um espaço muito bem definido e parecia confortável nesse espaço. Quando eu crescer eu quero ser assim.

essa acabaram não entrando na Bravo!

processo da equipe.

Saí de lá com uma admiração maior por ele, e, por mais que tivesse super explorado as possibilidades daquela situação, eu ainda não tinha conseguido a ‘foto linda’ que a Val tinha pedido. E eu levo muito a sério os pedidos dela.

Antes do bailarino sair, a gente pediu pra ele uma canjinha, naquela sala apertada mesmo, e foi chocante. O cara de preto tinha virado um monstro, o que ele fazia com o corpo era hipnotizante.

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A foto ainda não resolvia nosso problema do abre, mas dava uma pista boa. Eles conseguiram negociar pra eu ir de novo fotografar o Alan testando a roupa pronta na sala de ensaio, na sede da Cia, que fica na Oficina Cultural Oswald de Andrade. A revista fechava no dia seguinte, mas a pressa não era só minha: muito próximos da estréia, eles não podiam ensaiar pra sessão. Junto com quase toda a Cia mais Jum e equipe, acompanhei os passos do Alan no solo que abre o espetáculo durante os 10 minutos de duração. E finalmente a foto chegou.

enfim, o abre!

enfim, o abre!

primeiro ensaio de moda

publicado por gUi

Saiu na Gloss desse mês o meu primeiro ensaio de moda. Está sendo muito bacana fazer essas muitas coisas novas a partir do meu trabalho pessoal. Eu nuca tinha feito um ensaio de moda antes, mas me ligaram por causa das fotos dos desequilíbrios que fiz com o pessoal do Coletivo Bruto, numa escola abandonada na Vila Maria Zélia.

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primeiro desequilíbrio, 2008

A gente chegou a cogitar a mesma locação, mas eu não sabia como estava o lugar. Energia elétrica, lugar pra modelo se trocar, tudo tinha que ser considerado.

Propuz então a Oficina do Gugu, aqui na rua de casa, um lugar  lindo e enorme com o fundo todo aberto. Toda vez que eu ia lá, pensava, ainda vou fotografar esse lugar.

Pra maquiagem, cheguei a mandar pra eles algumas coisas do Vince Like (obsessão, será?), mas tirar a boca da modelo era um pouco demais pra uma revista comercial ( não custava tentar ). Pensamos então em apagar ao máximo o lábio e a sombrancelha.

A Lena Carderari, editora de moda da revista, me mandou duas opções de modelos. Era tudo muito estranho pra mim, poder escolher tudo, ainda mais sabendo tão pouco de moda e da tendências pro inverno. Tive que pesquisar um monte e deixei o resto pro feeling.

Chegamos cedo. Enquanto a modelo era maquiada pelo talentoso Carlos Freitas, e a Lena decidia quais eram os looks, fui pesquisando quais eram as possibilidades de fundo. O ensaio teria 10 páginas.

estudo de cenário.

estudo de cenário.

Misturei equipamentos de cinema com os de fotografia  ( tinha que ter algo familiar). Levei bandeiras, tripés, garras, cabeças de efeito. Na maior parte das fotos, recortamos a luz natural com as bandeiras, pois a luz entrava por vários lugares na oficina. Em outras tentamos construir uma luz que parecesse natural. ( nessa hora bateu saudade de fazer cinema).

tinha uma tocha fora da janela, presa no portão da oficina.

tinha uma tocha fora da janela, presa no portão da oficina.

eu adoro aqueles vidrinhos sujos lá de cima.

eu adoro aqueles vidrinhos sujos lá de cima.

No meio da tarde, caiu o mundo, uma tempestade que deu um blecaute no bairro todo, e por sorte esse quarteirnao ficou a salvo. Caiam goteiras do teto e a gente precisava proteger o equipamento. O céu ficou todo escuro Nossa luz natural acabou ali. ( se olhar bem nessa foto dá pra ver os pingos de chuva na janela).

Acabei o dia exausto, mas contente. ( costumam ser assim os bons dias de trabalho). O namoro com o tal controle vem andando bem. To pegando gosto por esse negócio…

Mais fotos desse ensaio em editorial.

it felt like love

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da série welcome home, 2009

welcome home, 2009

Saul Leiter, Vince e yo

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O carnaval foi em minas. O Vince tinha mandado três novos personagens e eu queria tranquilidade pra trabalhar no projeto. Levei um livro pra me fazer companhia, o Early Color do Saul Leiter. Eu sempre adorei esse livro mas dessa vez ele me pegou mais. Os pretos avermelhados, as altas luzes amarelas, o baixo contraste, os obstáculos fora de foco e… as fotos no metro de Nova York. (na época acho que era trem de superfície)

Paris 1959

Paris 1959

Sugeri pro Vince como referência estética pra gente. Eu já andava descontente com o resultado da primeira imagem. Essa mistura de desaturação com alto contraste me parecia moderno demais, sei lá.

O Vince conseguiu um livro lá no Canadá e aprovou a idéia. Era hora de testar.

Eu sempre tive muito pudor de mexer com os arquivos que o Vince me manda, sobretudo por admiração e respeito. Mas esse personagem era fora de foco, e eu teria necessariamente que intervir nas eu tinha que intervir nas pinceladas dele. Assim, acabei experimentando um pouco mais, meio sem saber onde iria chegar.

Outra coisa estava me incomodando na primeira imagem: o fato de parecer uma pintura sobre a imagem impressa ( muita gente me pergunta isso). A gente queria uma integração maior, uma fusão mesmo. O que acabei fazendo foi desenhar a sombra e a luz sobre o que o Vince me mandou, meio que imitando a luz que o personagem original recebia.

esse é legal clicar e ver grande

esse é legal clicar e ver grande

No fim a gente gostou tanto dessa nova abordagem, que resolvemos refazer a primeira imagem, e seguir mais ou menos por esse caminho de cor e de inclusão, com mais alteração sobre a pintura. O desafio agora é que as próximas duas são de personagem pintados inteiros, roupa inclusive.

A gente só percebeu por que a gente gostava dessa nova coisa depois dela pronta, conversando por skype. Aos poucos, o trabalho vai se mostrando pra gente.

Mais sobre o processo com o Vince, aqui.

workshop em imagens

publicado por gUi

o vermelho e o verde, por Eduardo Muylaert

o vermelho e o verde, por Eduardo Muylaert

descobrindo as cores primárias por Henrique Mangeon

descobrindo as cores primárias por Henrique Mangeon

e os autocromos do lumière por Henrique Mangeon

e os autocromos do lumière por Henrique Mangeon

A volta às aulas não poderia ter sido melhor. O público era bem variado e contava desde amantes e estudantes de fotografia até fotógrafos renomados, como Eduardo Muylaert do Câmera 16, Henrique Mangeon e Wagner Kyianitza, do MobStudio e o Clemente Gauer da Babel.

Os alunos responderam super bem às várias experiências: a mistura das cores luz, a caixa ótica gigante, os testes de luz difusa e pontual com os refletores…Ver um insight se formando é um dos espetáculos mais bonitos de se ver.

Deu vontade de fazer mais.

mais uma parceria

publicado por gUi

Esse ano estou tentando novas formas de edição além da nuvem de fotos na parede, jeitos de incluir outras pessoas no proceso de criação das séries e seleção das imagens: o trabalho em colaboração com o Vince Like, a edição da menina dos meus olhos com a Lua Cruz e agora a troca de cadernos com Felipe Russo.

o começo

o começo

O que a gente quer é fazer um exercício de edição e de reflexão do próprio trabalho e expor essas questões a um olhar atento. Funciona mais ou menos assim, cada um tem um moleskine pra colocar as imagens e discutir um pouco suas escolhas e as suas dúvidas. Ele escolheu discutir o na borda do campo no limite da cidade, trabalho que ele ainda está fazendo, mas que já está na coleção da Maison Européene de la Photographie, um dos centros mais importantes de fotografia do mundo.

Do meu lado resolvi ediscutir um trabalho ainda em gestação, o welcome home, feito em um santuário queer que conheci há mais ou menos um ano no Tennessee, nos Estados Unidos.

caderno-2

Acabei de entregar meus primeiros escritos pra ele e nessa de debulhar o trabalho tenho descoberto muita coisa sobre as fotos sobre mim. To animado com essa nova possibilidade, doido pra ver a resposta dele e doido pra ver as discussões que ele vai levantar.

on my mind

publicado por gUi

Janeiro de 2010